Início Piauí Caminhoneiros cruzam os braços e deixam bairros de Teresina sem coleta de...

Caminhoneiros cruzam os braços e deixam bairros de Teresina sem coleta de lixo

COMPARTILHAR

Caminhoneiros terceirizados suspendem coleta de lixo em Teresina por salários atrasados

Caminhoneiros terceirizados e “quarteirizados” do Consórcio EcoTeresina, responsável pela limpeza urbana da capital, suspenderam a coleta de lixo em Teresina na manhã desta terça-feira (22). A paralisação se estende também por esta quarta-feira (23).

Segundo apuração da TV Clube, ao menos oito bairros estão sem coleta: Saci, Monte Castelo e Lourival Parente (Zona Sul); Mocambinho, Aeroporto, Risoleta Neves, Água Mineral e Vila Operária (Zona Norte).

Os motoristas alegam estar há mais de três meses sem receber salários. Como forma de protesto, estacionaram os caminhões em frente à garagem da empresa Aurora, integrante do consórcio, e impediram que os garis saíssem para trabalhar.

Em nota, o EcoTeresina responsabilizou a Prefeitura de Teresina, que, segundo o consórcio, deve cerca de R$ 30 milhões. A empresa afirma que a inadimplência municipal compromete a operação e os serviços prestados à população (veja o posicionamento completo ao final da matéria).

Por outro lado, a Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb) nega a dívida. Alega que já repassou os recursos destinados aos salários dos caminhoneiros e que, por decisão judicial, o contrato com o EcoTeresina — encerrado no início de junho — voltou a ter validade (entenda mais abaixo).

Protestos e bloqueios

Na terça-feira, os caminhoneiros bloquearam a entrada do aterro sanitário de Teresina, localizado na Zona Sul, em protesto pelos salários em atraso. Até o momento, não houve acordo com o consórcio.

O caminhoneiro e ex-vereador Jonas dos Santos, o Joninha, afirmou que, apesar de um acordo firmado entre Prefeitura, empresas e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-PI) ter garantido o pagamento dos salários, o consórcio não cumpriu sua parte.

“O maior problema é o pagamento de maio. Mas tem trabalhador sem receber desde abril, março e até fevereiro. A Prefeitura já fez o repasse, mas a empresa não está pagando”, disse Joninha.

“São pais de família que dependem desses caminhões. Só vamos voltar ao trabalho quando o dinheiro cair na conta de cada um.”

Repasse e negociação

Em 10 de julho, a Prefeitura informou ter repassado R$ 12 milhões ao consórcio: metade para os trabalhadores da coleta e capina, e os outros R$ 6 milhões para os caminhoneiros.

O presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Conservação e Asseio do Piauí (Seeacep), Jônatas Miranda, explicou que parte do valor — cerca de R$ 4,8 milhões — foi redirecionada pelos próprios garis para pagar os caminhoneiros.

“Tudo foi acordado em ata. Mas mesmo assim a empresa pagou só uma parte e alegou que o valor era insuficiente”, relatou.

A chefe da assessoria jurídica da Eturb, Carolina Magalhães, atribuiu a paralisação à falta de pagamento por parte do consórcio. Ela ainda informou que a Justiça determinou a retomada do contrato com o EcoTeresina e que já há uma licitação definitiva em andamento para substituir o modelo atual. Um plano de contingência para evitar acúmulo de lixo nas ruas está sendo finalizado.

Nota oficial do Consórcio EcoTeresina

O consórcio voltou a responsabilizar a Prefeitura de Teresina pela crise, afirmando que a dívida ultrapassa R$ 30 milhões e que há descumprimento de decisões judiciais relacionadas ao pagamento dos serviços.

Segundo a nota:

Em dezembro de 2024, a Prefeitura teria feito apenas pagamento parcial, ignorando decisão judicial; De janeiro a junho de 2025, foram aplicados descontos considerados injustificados; Os valores de junho de 2025 não foram pagos, mesmo com acordo judicial.

A empresa afirma que a operação envolve mais de 3 mil trabalhadores, fornecedores e prestadores de serviço, que estão sendo diretamente afetados pela falta de repasses.

“Sem o pagamento, os salários estão atrasados, fornecedores não recebem e faltam insumos. A paralisação parcial de hoje é consequência direta da inadimplência da Prefeitura”, finaliza o comunicado.