O Piauí registrou aumento significativo de casos de dengue, doença transmitida pelo Aedes Aegypti, nas primeiras semanas epidemiológicas de 2022. O mosquito também é vetor de uma doença parasitária que atinge cães e que, de forma grave, pode levar até a morte. O g1 conversou com especialistas para auxiliar na prevenção.
Aedes Aegypti
Aedes aegypti é um mosquito considerado vetor de muitas arboviroses (doenças transmitidas por insetos e aracnídeos, como aranhas e carrapatos), dentre elas: Dengue, Zica Vírus, Chikungunya e Febre Amarela. Também é considerado vetor da Dirofilaria immitis (verme do coração), verme causador da Dirofilariose.
Popularmente conhecida como verme do coração, a doença pode acometer principalmente cães e gatos, além de seres humanos, portanto é considerada uma zoonose.
Além do risco de morte, essas doenças transmitidas pelo mosquito podem causar sérias complicações nos seres humanos e em animais.
O principal meio de prevenção dessas doenças, segundo especialistas, é o combate ao mosquito Aedes. E a forma mais eficiente de enfretamento é evitar água parada em recipientes, inclusive, a bacia de água do seu animal de estimação.
Zoonose
Essa classificação é usada para caracterizar doenças que são transmitidas de animais para humanos, ou de humanos para os animais.
De acordo com a professora de Parasitologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Luanna Soares de Melo, a dirofilariose é uma zoonose e pode se manifestar de diferentes formas nos cães e em casos isolados, nos seres humanos.
A professora Luanna destacou para o g1 medidas que podem auxiliar no reconhecimento desta doença nos animais domésticos.
“Pesquisas devem ser realizadas no intuito de se conhecer a ocorrência da doença em cães no nosso estado e na nossa capital, além de orientação sobre a doença e suas medidas de prevenção aos tutores de cães e gatos”, afirma a especialista.
Nas pessoas, de acordo com a professora, a verme do coração não pode ser transmitida pela mordida ou qualquer contato com um animal infectado.
O que pode ocorrer é o mosquito Aedes Aegypti picar um cão infectado com dirofilariose e depois picar um ser humano saudável e este se contaminar.
Em casos isolados, ao afetar o ser humano, os raros registros que existem são restritos ao pulmão, por isso é chamada de Dirofilariose pulmonar, mas sem mais complicações ou sequelas.
Sintomas e tratamento
Os sintomas da doença demoram a se manifestar no animal, geralmente quando a dirofilariose está em uma fase mais aguda.
No entanto, médica veterinária Mireille Sabbagh, Luanna Soares, é bom se atentar para o comportamento do cão, caso o animal comece a mostrar sinais de dificuldade respiratória, cansaço, tosse, emagrecimento e mucosas arroxeadas.
A professora de parasitologia da UFPI explica como a verme age no organismo do animal e como o mosquito atua como vetor da doença dirofilariose:
- Os vermes adultos alojados no coração produzem larvas muito pequenas que ficam na corrente sanguínea, e o mosquito, ao se alimentar do sangue de um animal doente, vai contrair esta pequena larva.
- Quando este mesmo mosquito se alimenta do sangue de um animal sadio, ele transmite a larva para este animal, esclarece a especialista.
O tempo para as primeiras manifestações clínicas, de acordo com a professora Luanna, pode ser de 6 meses, se animal infectado tiver menos de 6 meses de idade, o verme pode ter sido transmitido via transplacentária, ou seja da mãe (cadela) para o filhote.https://8a0f0054911f9528726cbd239ddffd88.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html
Segundo o médico veterinário Pedro Allef, não há uma medicação especifica para o tratamento desta doença no animal domestico.
“O tratamento é feito, na verdade, de forma sintomatológica, ou seja, tratando aquilo que o animal está apresentando com uma classe de vermífugo que ajuda a matar a microfilária, que é uma das fases do verme do coração. Já no verme adulto, não há tratamento especifico”, explica o especialista.
O médico ainda explica que a doença é silenciosa porque no início ela praticamente não apresenta sematologia especifica.
Fonte: G1














