
A ONU voltou a condenar a operação policial que deixou mais de 120 mortos no Rio de Janeiro. Em nota divulgada nesta quarta-feira (29), assinada por Volker Türk, alto comissário da entidade para os Direitos Humanos, a organização criticou a alta letalidade das ações policiais no país e pediu mudanças urgentes nas práticas de segurança pública.
Türk afirmou que o Brasil precisa “romper o ciclo de brutalidade extrema” e destacou que a violência policial tem sido normalizada, especialmente no Rio de Janeiro, onde os índices de mortes em operações cresceram nos últimos anos. Ele também cobrou investigações rápidas, independentes e eficazes sobre o caso, além de uma reforma profunda no policiamento.
“Compreendo os desafios de lidar com grupos criminosos violentos e organizados, mas a longa lista de operações que resultam em muitas mortes — afetando de forma desproporcional pessoas negras — levanta sérias questões sobre a forma como essas incursões são conduzidas”, afirmou o comissário.
“Reformas são urgentemente necessárias para evitar repetições. Violações não podem ficar impunes”, acrescentou.
Na terça-feira (28), a ONU já havia declarado estar “horrorizada” com a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio.
A operação
O governo do Rio de Janeiro confirmou que 121 pessoas morreram na ação — sendo 4 policiais e 117 suspeitos, segundo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi. A operação é considerada a mais letal da história do estado.
Moradores da Penha relataram ter encontrado 74 corpos ao longo da madrugada, levados para a Praça São Lucas. A Polícia Civil informou que 63 corpos foram localizados em área de mata e que haverá perícia para determinar se todas as mortes estão relacionadas à operação.
O governador Cláudio Castro (PL) classificou a ação como um “sucesso” e disse que “as únicas vítimas” foram os quatro policiais mortos. Ele não comentou, no entanto, os relatos sobre os corpos encontrados por moradores.
Estratégia policial
Durante coletiva, o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou que foi montado o chamado “Muro do Bope” — um cerco que empurrou criminosos para a mata, onde equipes do Batalhão de Operações Especiais aguardavam.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, o “dano colateral” da operação foi “muito pequeno”, afirmando que apenas quatro pessoas inocentes morreram.
A ação mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e foi classificada como de alto risco pelas autoridades.















