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Hospital São Marcos receberá R$ 2,3 milhões a mais por mês para garantir atendimentos pelo SUS

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Hospital São Marcos receberá R$ 2,3 milhões a mais por mês para atendimentos pelo SUS

O Hospital São Marcos, em Teresina, terá um reforço financeiro de R$ 2,3 milhões por mês para manter e ampliar os atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito nesta quarta-feira (26) pelo secretário do Ministério da Saúde, Mozart Sales.

Além do novo repasse federal, o Governo do Piauí continuará destinando R$ 900 mil mensais à unidade. Com isso, o hospital passará a receber R$ 3,2 milhões por mês em recursos destinados aos serviços públicos.

O dinheiro será transferido pelo Ministério da Saúde por meio do Fundo Estadual de Saúde. O novo valor será considerado a partir da competência de agosto, com o pagamento previsto para o início de setembro.

Como o valor foi definido

De acordo com Mozart Sales, o montante foi estabelecido após uma auditoria realizada por técnicos do Ministério da Saúde, em conjunto com as secretarias estadual e municipal de Saúde e o Ministério Público do Piauí (MPPI).

Durante a análise, foram avaliadas as contas do hospital para separar os gastos relacionados aos atendimentos pelo SUS daqueles ligados às atividades privadas da instituição.

Dos R$ 2,3 milhões adicionais, R$ 1,65 milhão por mês será utilizado para recompor os custos da operação pública do hospital. Outros R$ 650 mil mensais serão destinados ao pagamento de uma dívida com o Fundo Municipal de Saúde de Teresina.

Hospital poderá usar créditos para pagar tributos

Além do repasse mensal, o Ministério da Saúde também anunciou que o Hospital São Marcos poderá utilizar créditos financeiros para quitar tributos federais por meio da prestação de serviços.

A proposta prevê uma remuneração acima dos valores estabelecidos na tabela convencional do SUS. Segundo o ministério, a medida busca melhorar a situação financeira da instituição e contribuir para a continuidade dos atendimentos oferecidos à população.

Entenda a crise do Hospital São Marcos

A situação financeira do Hospital São Marcos ganhou destaque em julho de 2026, quando a instituição anunciou a suspensão da admissão de novos pacientes oncológicos pelo SUS.

Na época, a direção afirmou que os recursos disponíveis não eram suficientes para cobrir os custos dos tratamentos e informou que precisava de R$ 4 milhões adicionais por mês para manter os serviços.

Diante da situação, o Ministério Público do Piauí (MPPI) e o Ministério Público Federal (MPF) entraram com uma Ação Civil Pública para garantir a continuidade do atendimento aos pacientes com câncer.

Os órgãos apontaram que a interrupção poderia prejudicar o atendimento oncológico em todo o estado, já que o São Marcos era o único Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) habilitado pelo SUS no Piauí.

No processo, MPPI e MPF afirmaram que um convênio entre a Fundação Municipal de Saúde (FMS) e o hospital previa repasses mensais de R$ 10,25 milhões. Segundo os ministérios, mudanças posteriores na forma de pagamento teriam reduzido os valores repassados à instituição.

A FMS contestou essa interpretação e afirmou que os R$ 10,25 milhões não correspondiam a um valor fixo, pois os pagamentos dependiam do cumprimento de metas e da produção realizada pelo hospital. O órgão também declarou que vinha fazendo repasses para assegurar a continuidade dos serviços de oncologia.

Paralelamente, o Ministério Público abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades na gestão da Associação Piauiense de Combate ao Câncer (APCC), entidade responsável pela manutenção do Hospital São Marcos.

A investigação teve como base uma auditoria que identificou possíveis inconsistências contábeis, problemas de governança e indícios de prejuízos aos cofres públicos.

O Hospital São Marcos afirmou que recebeu a investigação com tranquilidade, que estava colaborando com os órgãos de controle e que o principal problema enfrentado pela instituição era o desequilíbrio financeiro acumulado na prestação dos serviços de oncologia pelo SUS.