O Irã apresentou uma nova proposta de negociação aos Estados Unidos por meio do Paquistão, que atua como mediador, segundo informou a imprensa estatal iraniana nesta sexta-feira (1º).
De acordo com a agência oficial IRNA, o documento com a mais recente proposta foi entregue ao governo paquistanês na noite de quinta-feira, sem que fossem divulgados detalhes sobre o conteúdo.
Apesar da falta de informações, o mercado reagiu: os preços globais do petróleo, que vinham em forte alta desde o bloqueio do Estreito de Ormuz, recuaram após a divulgação da notícia.
O fechamento dessa rota marítima estratégica interrompe cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás. Paralelamente, a Marinha dos EUA mantém restrições às exportações iranianas, o que elevou os custos de energia e aumentou os receios de desaceleração econômica global.
Ainda não há confirmação se a proposta já foi oficialmente encaminhada a Washington.
Um cessar-fogo considerado frágil está em vigor desde 8 de abril, mas o Estreito de Ormuz — fundamental para o comércio internacional de petróleo — continua bloqueado.
Na manhã desta sexta, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, utilizou a plataforma X para criticar os Estados Unidos. Em publicação, afirmou que as “bases frágeis” americanas não conseguem garantir nem a própria segurança, tampouco a de seus aliados na região. Ele também destacou a relevância do Golfo Pérsico, apontando sua importância histórica, econômica e estratégica.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o Irã reforçou suas defesas aéreas e prepara uma resposta ampla caso sofra ataques, diante da avaliação de que poderia enfrentar uma ofensiva rápida dos EUA, possivelmente seguida por ação israelense.
O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, alertou que não se deve esperar resultados imediatos das negociações. Já um integrante da Guarda Revolucionária afirmou que qualquer novo ataque americano, mesmo limitado, provocaria retaliações prolongadas contra alvos dos EUA na região. O comandante da Força Aeroespacial, Majid Mousavi, também indicou que ações semelhantes às já vistas contra bases militares poderiam atingir navios de guerra.
Nos Estados Unidos, Donald Trump voltou a afirmar que o Irã não poderá desenvolver armas nucleares e declarou que os preços da gasolina devem cair após o fim do conflito — tema relevante para o Partido Republicano em ano eleitoral. O governo iraniano, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos.
O conflito agravou a situação econômica do Irã e aumentou o risco de uma crise no pós-guerra. Ainda assim, o país demonstra capacidade de manter o impasse no Golfo, mesmo com as restrições às suas exportações de energia.
Segundo o site Axios, uma das propostas avaliadas por Trump inclui o uso de tropas terrestres para assumir o controle de parte do estreito e reabrir a rota marítima. Outras alternativas em análise seriam ampliar o bloqueio ou até declarar uma vitória unilateral.
Washington não divulgou detalhes oficiais sobre essas estratégias. No entanto, um comunicado do Departamento de Estado, previsto para ser apresentado a países parceiros até 1º de maio, sugere a criação de uma coalizão internacional chamada “Maritime Freedom Construct”, com o objetivo de garantir a circulação de navios na região.
Países como França e Reino Unido já discutem a possibilidade de integrar essa coalizão, mas indicaram que só devem colaborar na reabertura do Estreito de Ormuz após o fim do conflito.
















