Em disputa acirrada com Flávio Bolsonaro, petista recebeu mais de 64 milhões de votos. Presidente do TSE destacou participação popular, desafios na apuração e medidas de inclusão eleitoral.
Presidente do TSE faz balanço do 2º turno das Eleições 2026. Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE
O Brasil concluiu o segundo turno das Eleições 2026 com a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. O resultado, divulgado neste domingo (25) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), confirmou uma disputa equilibrada. Lula conquistou 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 59.826.041 votos, alcançando 48,21%.
O balanço do pleito foi apresentado pelo presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que cumprimentou os candidatos à Presidência e os seis governadores eleitos. Durante a manifestação, o magistrado destacou a importância da participação dos brasileiros e reconheceu o trabalho das instituições envolvidas na organização das eleições.
Segundo o ministro, a democracia tem como principal protagonista o eleitor, responsável por decidir, por meio do voto, os rumos políticos do país.
Comparecimento às urnas supera 128 milhões de eleitores
Mais de 158 milhões de brasileiros estavam habilitados a votar no segundo turno. Desse universo, aproximadamente 128,2 milhões compareceram às seções eleitorais. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no primeiro turno.
Para facilitar o acesso da população, a Justiça Eleitoral organizou mais de 95 mil locais de votação em diferentes regiões do país. A iniciativa teve como objetivo reduzir deslocamentos e proporcionar melhores condições para o exercício do direito ao voto.
Transporte gratuito foi acompanhado pela Justiça Eleitoral
A oferta de transporte público gratuito durante os dias de votação também integrou o balanço apresentado pelo presidente do TSE.
A medida está relacionada às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ADPF 1.013, e regulamentadas pela Resolução TSE nº 23.751/2026.
Os Tribunais Regionais Eleitorais receberam orientações para fiscalizar a prestação do serviço em seus respectivos estados. O acompanhamento também contou com a atuação do TSE e da Corregedoria-Geral Eleitoral.
Nunes Marques ressaltou que possíveis falhas na disponibilização do transporte precisam ser investigadas, uma vez que as condições de deslocamento podem influenciar diretamente a participação dos cidadãos no processo democrático.
Decisão sobre horário de votação trouxe desafios à apuração
Um dos episódios que exigiram maior adaptação durante o segundo turno foi a decisão liminar do STF que estendeu até as 19h, no horário de Brasília, a votação nas seções que ainda permaneciam abertas. O encerramento estava inicialmente previsto para as 17h.
A determinação provocou mudanças nas rotinas operacionais do TSE, exigindo ajustes nos sistemas de processamento e cuidados adicionais com a segurança de servidores e mesários.
De acordo com Kassio Nunes Marques, a solicitação de ampliação do horário chegou por volta das 15h30. Diante da situação, o ministro buscou informações técnicas junto ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), às prefeituras envolvidas e às equipes responsáveis pela estrutura tecnológica do Tribunal Superior Eleitoral.
O magistrado explicou que não havia previsão normativa específica para aquela circunstância, considerada inédita nos procedimentos da Corte.
Outro problema foi o fato de milhares de urnas já terem sido encerradas quando a decisão foi comunicada. Como esses equipamentos não poderiam ser reabertos, o Tribunal precisou reorganizar temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna (BUs), provocando acúmulo de arquivos aguardando processamento.
Apesar das dificuldades, o presidente do TSE afirmou que o trabalho das equipes técnicas permitiu dar continuidade à apuração.
Em relação ao funcionamento dos equipamentos, das 499.248 urnas eletrônicas utilizadas no segundo turno, 1.551 precisaram ser substituídas, representando aproximadamente 0,31% do total.
TSE recebeu mais de 2,2 mil processos eleitorais
O volume de ações judiciais relacionadas às eleições também chamou a atenção no balanço divulgado pelo ministro.
Conforme os dados apresentados, o Tribunal Superior Eleitoral recebeu 2.265 processos durante o período eleitoral. Entre eles, foram contabilizadas 827 representações e 446 solicitações de direito de resposta.
Para Nunes Marques, o desafio consiste em garantir respostas rápidas às demandas eleitorais sem comprometer os princípios jurídicos que asseguram o direito de defesa e a análise adequada de cada processo.
O presidente defendeu o aperfeiçoamento dos procedimentos internos, com a racionalização dos fluxos de trabalho e a adoção de mecanismos que contribuam para acelerar os julgamentos.
Observadores internacionais acompanharam as eleições
O acompanhamento do processo eleitoral por observadores nacionais e estrangeiros também foi destacado pelo presidente do TSE.
As missões tiveram acesso a diferentes etapas da votação, aos mecanismos de auditoria e aos procedimentos de fiscalização. A presença dessas instituições independentes foi apontada como um instrumento importante para ampliar a transparência e fortalecer a confiança no sistema eleitoral brasileiro.
Além de permitir avaliações externas, a participação de observadores internacionais contribui para a troca de experiências entre países e para o aprimoramento das práticas adotadas pela Justiça Eleitoral.
Inclusão e representatividade ganharam destaque
As iniciativas destinadas a ampliar a participação política de grupos historicamente sub-representados estiveram entre os pontos mencionados pelo ministro.
Nunes Marques citou ações voltadas às mulheres, à população negra, aos povos indígenas, às comunidades quilombolas, aos grupos tradicionais e às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Entre as medidas destacadas estão os mecanismos de incentivo às candidaturas femininas e negras, a destinação de recursos públicos para essas candidaturas e iniciativas específicas de valorização da participação indígena na política.
O presidente também mencionou o programa Seu Voto Importa, desenvolvido para ampliar as condições de acesso dos cidadãos às urnas.
A avaliação apresentada pelo ministro é que a modernização do sistema eleitoral precisa caminhar junto com políticas de acessibilidade, garantindo que todos tenham condições de exercer seus direitos políticos.
Ministro agradece aos profissionais envolvidos no pleito
Ao encerrar o pronunciamento, Kassio Nunes Marques reconheceu a atuação dos ministros do TSE, dos integrantes do Ministério Público Eleitoral, dos magistrados e dos servidores que participaram da organização das eleições.
O agradecimento também foi direcionado aos mesários, voluntários, colaboradores, profissionais de segurança, órgãos públicos, partidos políticos, candidatos, representantes da imprensa e entidades fiscalizadoras.
Com a conclusão do segundo turno, a Justiça Eleitoral encerra mais uma etapa do calendário democrático brasileiro. Os desafios identificados durante a votação e a apuração deverão servir de referência para o aperfeiçoamento dos procedimentos nos próximos processos eleitorais.
PORTAL SAMBITO
Reportagem com redação e edição próprias, elaborada a partir de informações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Créditos fotográficos:
- Luiz Roberto / Secom / TSE.
- Leobark Rodrigues / TSE.
Publicação: Redação do Portal Sambito.















